Segunda-feira, Abril 07, 2008
Elementarteilchen
O início da vida costuma ser muito nebuloso. A infância, a adolescência, e os primeiros anos da juventude são períodos que alternam despreocupação com o futuro e com as consequências dos seus atos e angústias geradas por vivenciarmos situações totalmente novas. Tudo isto piora um pouco se não há suporte por parte dos pais ou da sociedade ou do que seja para o nosso crescimento interior. E o mais curioso é o fato de que boa parte das decisões tomadas justamente nessa época de inexperiência e descobertas serão as que mais influem naquilo que nos tornaremos, na vida futura. Um bom exemplo disto é a decisão, aos 17 anos (em média) sobre qual profissão seguir.
Nesse contexto, Partículas Elementares é um filme sobre escolhas. Baseado em romance de Michel Houellebecq, o roteiro traça um paralelo sobre a vida de dois irmãos, filhos de mãe hippie ausente e pais diferentes: Michael e Bruno, que ainda jovens se definiram: um é um solitário cientista que, embora em franca expansão de carreira, vive sem sexo,à base de tranquilizantes e o outro, um professor aspirante a devasso e a escritor que vê sua vida naufragar com um emprego medíocre, uma bebê e uma esposa cansada. O filme começa quando a vida dos dois atravessa tempos difíceis: estão adultos e em meio às consequências daquilo que escolheram. Porém, ao se depararem com a questão: -o que estou fazendo? chega a hora de tomar algumas decisões, e é aí que ambos percebem uma chance de mudar.
No entanto, nem na vida e nem no cinema as coisas são tão simples. Infelizmente, deparar-se com a chance de mudança não é suficiente. É preciso também enxergá-la, aproveitá-la e lutar por ela. E é nesse ponto que tudo começa a divergir. Em meio a vários obstáculos, Michael enfim, percebe que não se pode chegar a um elemento indivisível nas relações humanas, não se pode reduzi-las. E escolhe ser o protagonista da própria história, apesar de não ganhar o prêmio Nobel, enquanto Bruno ainda hesita em dar o passo derradeiro e permanece do outro lado.
Podemos observar nesta singela história de dois irmãos com personalidades tão distintas a história dos tipos de pessoas em que o mundo se divide: aquelas que, apesar de terem feito cedo as escolhas equivocadas, ainda encontram forças para voltar atrás e reviver a própria vida em sua plenitude, e aquelas que, embora também tenham se deparado com a chance de mudança, encolhem-se perante a perspectiva do desconhecido, não por comodismo, mas simplesmente por não conseguirem lidar com o peso da vida e das novas perspectivas. Nunca conseguiriam na verdade.
Devo ressaltar que um não é pior que o outro, o que o filme faz é tão e somente uma constatação a partir da realidade, daquilo que podemos apreender da nossa própria vivência. E é por isso que ele sai do patamar de um mero roteiro alemão pelo qual não vale a pena pagar um ingresso inteiro, e se torna uma interessante história de caráter universalista.
Título no Brasil: Partículas Elementares
Título Original: Elementarteilchen
Direção: Oskar Roehler
Alemanha, 2006
105 minutos
Site Oficial: http://www.elementarteilchen.film.d e
Segunda-feira, Março 24, 2008
coisas
se eu fosse um homem, eu seria: Ney Matogrosso
se eu fosse um animal, eu seria: um urso polar
se eu fosse um inseto, eu seria: uma abelha
se eu fosse uma planta, eu seria: um cacto
se eu fosse um livro, eu seria: O Menino do Dedo Verde
se eu fosse uma revista, eu seria: Lovestórias, Angeli
se eu fosse um autor, eu seria: Rachel de Queiroz
se eu fosse uma personagem famosa, eu seria: Dorian Gray
Se eu fosse uma personagem do coração, eu seria: Diadorim
se eu fosse uma celebridade, eu seria: Yoko
se eu fosse uma música, eu seria: Nude do Radiohead
se eu fosse uma música velha, eu seria: Casamos num motel/Bem longe do altar/Lua de mercúrio, fogo e mel/Não fui o seu primeiro/Você já tinha estrada/Dois filhos, um travesseiro e a empregada/Um anjo embriagado num disco voador/Jurou que o nosso amor era pecado/Mas a história mostra/Que a gente agrada a deus/Fazendo o que o diabo gosta
se eu fosse um filme, eu seria: Lua de Fel
Se eu fosse um diretor, eu seria: Lars Von Trier
se eu fosse uma corrente filosófica, eu seria: niilismo forte
se eu fosse um engano, eu seria: Deus
se eu fosse um político, eu seria: suicida
se eu fosse um lugar, eu seria: uma montanha gelada
se eu fosse um país, eu seria: Japão
se eu fosse uma estação do ano, eu seria: o inverno
se eu fosse uma peça de roupa, eu seria: uma meia
se eu fosse uma comida salgada, eu seria: um risoto
se eu fosse uma fruta, eu seria: um abacaxi
se eu fosse uma sobremesa, eu seria: um bolo
se eu fosse uma bebida, eu seria: chá quente
se eu fosse uma cerveja, eu seria: provavelmente sem álcool
se eu fosse um chocolate, eu seria: amargo
se eu fosse um time, eu seria: algum que tivesse uma camisa de uma cor só
se eu fosse uma brincadeira, eu seria: pega varetas
se eu fosse um jogo, eu seria: war
se eu fosse uma cor, eu seria: cereja
se eu fosse uma doença, eu seria: uma febre
se eu fosse uma droga, eu seria: injetável
se eu fosse um verso do Manuel Bandeira, eu seria: "A vida inteira que podia ter sido e que não foi"
se eu fosse um sentimento, eu seria: saudade
Sexta-feira, Março 21, 2008
When life's a dream,
nothing matters at all
At all
At all
Nothing matters at all
At all
At all
Quarta-feira, Março 19, 2008
questões básicas
Outro dia, ainda no ano passado, eu estava falando pra uma amiga sobre o lançamento da revista Álcool com Açúcar, e o diálogo que tivemos foi mais ou menos assim:
amiga: ah então vc tá lançando uma revista, que curioso. QUal o nome?
eu: Álcool com Açúcar
amiga:...
eu: ...
amiga: mas por que álcool com açúcar
eu: ah por causa de um blog e blá blá
amiga: nãaao eu quis dizer, por que álcool com açúcar se você não bebe e só toma coca light
.
.
.
achei bem pertinente a dúvida dela viu
e eu agora não estou mais morando sozinha. Meu irmão mais novo está aqui desde janeiro e tal.
Eis que hoje à noite, eu saio do quarto e vou para a cozinha pegar um petisco, e me deparo com a cena na sala: ele sentado e tomando cerveja numa xícara de chá (?????)
Essa juventude...
tá
eu tou falando essas coisas porque não quero pensar no que está acontecendo comigo no momento. Falta de rotina sempre me desestabiliza. E agora até isso eu acho frescura, não tenho o direito de me desestabilizar, então tenho que dizer (ou tentar) pra mim mesma que esse tipo de vida que eu levo é, até certo ponto, normal e aceitável, se for por um período limitado.
Preciso parar de perder coisas dentro da minha própria casa
Segunda-feira, Março 10, 2008
pensamentos soltos e o sentido da vida
já que não consigo ir ao banheiro, resolvi postar.
Viver bem é não ter que pensar nesse tipo de coisa. Tanto o sentido da vida quanto a prisão de ventre.
Sábado de manhã eu estava passando pela av. República do Líbano quando um caminhão de lixo parou ao lado. O motorista então pegou uma sacolinha de resto de lanches dele e jogou pela janela. Conclusão da manhã: (mais) uma pessoa que não tem a mínima idéia do significado da sua própria profissão.
Aliás, normal o lixeiro ser assim. Ele não foi pago pra pensar. O negócio dele é lixo. O duro é encontrar diariamente pessoas com o mesmo pensamento do lixeiro, que ganham o mesmo que você no seu trabalho e ainda são suas potenciais concorrentes para um emprego. Pessoas cujo negócio também é uma vida de lixo. E enquanto isso, a vida segue sem maiores problemas nas viseiras.
Se eu tenho uma pedra no meu sapato de office boy?
Sempre.
Sempre tenho baby.
Mas se a vida é nada, agora eu quero ver onde estão seus limites. E principalmente os meus.
Amanhã começa meu ano.
...
aiai
e essa celeuma em torno de uso células tronco embrionárias hen?
É tanta falação sobre o início da vida que as pessoas nem pensam no que estão dizendo. Início. Vida. Ser. Células Embrionárias. Nem ao menos sabem definir isso em suas próprias cabeças sem distorcer os conceitos por crenças ocas e hipócritas. Tudo bem. Opiniões são opiniões. Mas a verdade é eu quero ver você ser contra o uso dessas células se o seu filho sofrer um acidente e ficar tetraplégico.
Brasil é hipocrisia. Esse cristianismo de fachada (sim, de fachada) ainda vai ser o fim da nossa sociedade. A gente não mata embriões que querem nascer, é verdade. Em compensação acha normal eles nascerem e serem jogados no rio, no lixo, no mato, ou serem criados por mães que vão queimá-los com bituca de cigarro e pais que vão abusá-los com bafo de pinga. E por ai vai.
Vai nessa.
No fim de semana a manchete da folha foi que um embrião congelado por 8 anos gerou um bebê. Mas eae? Eae voltamos ao nada que é a moral do povo brasileiro.
Sábado, Fevereiro 23, 2008
O Fim
Sabem, tenho a impressão de que a vida, para as pessoas que já tiveram depressão grave é continuamente um grande peso, em todos os seus aspectos.
Uma vez curadas da doença, a força adquirida é enorme, de forma a permitir que elas enfrentem tudo o que, antes, só conseguiam levar com dificuldade e ajuda de antidepressivos que funcionam como anestésicos da realidade, e muito mais.
Isso é algo que se percebe com uma certa clareza, mas é difícil de se vivenciar devido ao entendimento que se tem do processo. Mais ou menos como aquela história de ter que atravessar uma ponte velha e danificada, que tem um abismo-infinito-com-lava-fervente-e-baratas-carnívoras-no-fim sem olhar pra baixo sabem?
Depois da depressão grave, atravessar olhando pra baixo, e contando os passos dói, mas é perfeitamente possível. O que também é possível é atravessar, olhando pra baixo, contando os passos e levando uma pessoa nas suas costas. Possível sim, mas não é o certo. Atravessar a ponte nas costas de alguém pode fazer com que os dois se desequilibrem e caiam no infinito labirinto.
Essa ponte é como se fosse a nossa vida.
Cada um tem que atravessar por si. Cada um tem que descobrir que é possível atravessar a ponte conhecendo cada pedaço, pisando em cada viga, tropeçando em alguns buracos, se segurando nas cordas e aprendendo com cada passo, cada risco.
É, autoconhecimento nos custa muito. Em compensação, é um caminho sem volta. E essa força, enfim, nos permite lidar com a realidade, com esse peso enorme que a lucidez traz depois de algo tão ruim.
No entanto, às vezes, é preciso deixar uma história acabar, para continuar lutando contra as pequenas engrenagens da sua própria existência, pra continuar a travessia sem mais riscos.
Sábado, Fevereiro 16, 2008
se eu reclamo de falta de ética
me tratam como se isso fosse uma superficialidade da minha parte.
O homem não veio do macaco, como interpretam (erroneamente) a teoria de Darwin alguns criacionistas desavisados. O que Darwin queria mostrar é que o homem e o macaco compartilham um ancestral comum, o que é bem diferente. No entanto, ante o espetáculo da incompreensão que observo diariamente; ante a falta de ética e moral que alcança todos os meios, e vai cada vez mais longe; e a descrença no outro, que só tenho visto aumentar, só posso concluir uma coisa: estamos cada dia mais e mais primitivos.
Quinta-feira, Janeiro 31, 2008
again
e quantas vezes for necessário
eu já perdi grandes amigos
em mares de descrença que não conhecia
eu já perdi um grande amor
ou um grande amor se perdeu de mim
eu já perdi muita felicidade
em acidas palavras vãs
mas o que mais me dói
eu já perdi sonhos que não eram meus
e demasiado tempo de vida tentando alcançá-los
anyway
a única coisa que eu tenho a perder agora,
é apenas um sonho
legitimamente meu
meu sonho
e bem:
querem saber...
não vou desistir dele
Sexta-feira, Janeiro 18, 2008
Yes
a heart will always go one step too far
And a heart will always stay one day too long
Always hoping for the hot flashes to come
Sexta-feira, Janeiro 11, 2008
A história dos tempos de morrer
Se eu e você fôssemos escrever uma história juntos,
seria a história dos tempos de morrer.
Os tempos em que nenhuma música, por mais bonita que fosse, poderia nos despertar.
Em que nenhum céu azul, por mais calmo, poderia nos tirar a angústia de viver.
E nenhum barulhinho de flores caindo poderia nos trazer à tona novamente.
Algo como um castelo de cartas que você só tem uma chance de fazer, pois ele só pode ser construído uma única vez.
Uma história simples sobre como, de vez em quando seu fim se confunde com o fim da dor.
F I M
Quinta-feira, Janeiro 03, 2008
Retrospectiva atrasada
Estou meio nostálgica. Não escrevi um post feito para ser o último do ano, pra falar a verdade, estou meio sem tempo e sem paciência de escrever por aqui. O ano acabou, mas os projetos não. E aqui estou esperando novamente uma definição para os próximos meses, chocando mais um ovo, esperando que todo um ciclo da minha vida acabe, para poder seguir em frente, com mais força. Que será de 2008????
O ano de 2007 foi marcado por muito trabalho. Quando eu voltei do Japão, não sabia direito o que ia acontecer, então resolvi continuar no ritmo que estava enfrentando na universidade de lá, e colhi muitos resultados com isso. Por outro lado, tive que me reacostumar com a falta de ética, caráter e responsabilidade das pessoas daqui do Brasil, isso é sempre ruim de se averiguar, pois quando ficamos fora, achamos que as coisas vão mudar pra melhor, o que não é necessariamente verdade. Porém eu trabalhei também com pessoas excepcionais, com quem aprendi bastante e pretendo continuar aprendendo. Quem me conhece sabe que não parei um minuto em 2007, mas isso aconteceu porque eu não queria parar pra pensar na minha vida. Como todo toc, preciso de rotina forte pra andar pra frente e em janeiro ainda quero trabalhar muito pra terminar as minhas últimas pendências.
Como foi um ano de muito trabalho, acabei não lendo muito, acho que foi o ano que eu menos li e fui ao cinema da minha vida. As únicas coisas mais importantes que eu li foram o blog do Lourenço , link ao lado, Demo, do Brian Wood, 100%, de Paul Pope, Os Caçadores de Sonhos, do Neil Gaiman, Fun Home, da Alison Bechdel,e Mas Ele diz que me Ama, de Rosalind B. Penfold. Não fiz resenhas sobre eles, a não ser o último. Quem sabe mais pra frente eu resenhe alguns desses. Ao invés disso, eu reli muita coisa, foi um ano de matar saudades dos meus velhos livros e namorar longamente minha prateleira de quadrinhos, que esteve tão distante em 2006.
De filmes interessantes que vi, pouquíssimos, acho que fui ao cinema umas 3 vezes, e dessas 3: Ratatouille (este eu fiquei com pena dos ratinhos, já que trabalho com similares) e A Vida dos Outros (que vi recentemente e ainda recomendo pra todo mundo) foram os que me chamaram a atenção. Não gostei da adaptação do Amor nos Tempos do Cólera , tudo muito rápido, uma vida em 2 horas, isso era de se esperar. Veremos o Persépolis como vai ser.
Este ano foram lançados 3 álbuns memoráveis: Challengers, do The New Pornographers, Our Love to Admire, do Interpol, e In Rainbows, do Radiohead. O do The Killers foi mais ou menos vai. Mas pelo menos no Tim Festival, eles tocaram Read My Mind.
Este ano publiquei 2 histórias, uma na Front 18, com o tema ódio, e uma na revista que também editei: Álcool com Açúcar. Aguardem o próximo número, com o tema angústia, e com a história que fiz há 3 anos pra exorcizar alguns fantasmas, que ninguém queria desenhar e só fui terminar há alguns meses.
Eu também tinha esquecido como era ruim a sensação impotência perante a perda iminente, e este ano eu pude lembrar disso porque alguém importante teve muitos problemas de saúde sérios. Mas nem vou me estender nesse assunto já que deu tudo certo até então, e ele voltou para a rotina dele.
Este ano a dor continuou doendo, mas de um jeito diferente.
Este ano nasceu um sobrinho e agora eu estarei na posição de tia por muuuitos e muitos anos.
Este ano encontrei pouco meus amigos, mas foram encontros marcantes, que espero repetir em 2008.
2007 é o ano do fim da CPMF (ao menos por enquanto), e da cara de pau do governo em querer aumentar outros impostos pra manter as regalias desses inúteis. Em 2008, aguardem novos embustes fiscais.
O ano de 2007 foi, provavelmente, o último ano em que morei sozinha. Em 2008, meu irmão mais novo virá morar comigo porque, se uma pessoa próxima está se esforçando pra andar pra frente, acho que preciso ajudar, e ele precisa morar num lugar mais próximo do centro da cidade.
Em 2007 eu não concretizei minha meta do ano novo anterior, que era aprender a fazer pamonha. Pois então mantenho-a. 2008 será o ano da pamonha.
Bom, é isso aê. Feliz ano novo a todos, e principalmente a quem eu não encontrei, e aos amigos virtuais, que encontro raramente. Espero que todos tenham muita saúde e força para concretizarem seus projetos, e que venha 2008, pois sim, estamos preparados.


